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A mesquita e o cabelo do profeta Maomé!

Na Caxemira eu visitei um importante santuário para os muçulmanos, a Mesquita Hazratbal, localizada na cidade de Hazratbal, distrito de Srinagar, norte da Índia.


Esta mesquita, toda em mármore branco, está situada na margem esquerda do Dal Lake (Lago Dal) e é considerado o mais sagrado santuário muçulmano na Caxemira. O seu significado, nos idiomas urdu e kashimiri, é "Lugar Majestoso".

Portões de entrada para o santuário.

A mesquita possui 105m de comprimento por 25m de largura. 

O Santuário de Hazratbal é muito especial para os muçulmanos porque contém uma importante relíquia do Profeta Maomé (Mohammed): um fio de seu cabelo

Relíquia com o fio de cabelo do profeta Maomé

Por causa deste fio de cabelo, as mulheres são proibidas de entrar na área principal da mesquita!


A seta mostra a entrada da salinha de orações para as mulheres, que fica bem ao fundo da mesquita.

Eu precisei entrar pelo pátio, à esquerda da mesquita e seguir até os fundos, onde havia uma salinha para as mulheres fazerem suas orações. Fui até a porta desta salinha meio escura, olhei as mulheres que lá estavam, mas desisti de entrar.

A vista para o Dal Lake, do pátio da mesquita, é inspiradora!

Fiquei fazendo minhas próprias orações do lado de fora, olhando a belíssima vista para o lago e observando os inúmeros pombos e corvos que ficavam sobrevoando o local.

Calçadão para o Dal Lake,na lateral da mesquita.


Algumas mulheres que saíam da salinha curiosas, foram até mim e puxaram conversa. Queriam saber de onde eu vinha, qual a minha religião, se eu estava gostando da Caxemira, etc...



Apenas uma destas mulheres já tinha ouvido falar no Brasil. Outras, como esta muçulmana de amarelo, nem inglês falavam, apenas queriam tirar fotos comigo, uma loira exótica para elas... 


A interessante história do fio de cabelo do profeta islâmico Maomé (Mohamed)
Diz a lenda que o Mo-e-Muqaddas (o cabelo do profeta) foi levado para a Índia em 1635, por Syed Abdullah, um descendente do profeta Maomé, que deixou a Medina, na Arábia Saudita e estabeleceu-se na cidade de Bijapur, no estado indiano de Karnataka. 

Quando Syed Abdullah morreu, o seu filho Syed Hamid herdou a relíquia. Quando o imperador mughal Aurangzeb conquista da região, Syed Hamid foi despejado de suas propriedades e ficou sem condições de cuidar da relíquia, então vendeu-a para o rico empresário kashmiri, Khwaja Nur-ud-Din Eshai.


Quando o Imperador ficou sabendo da relíquia e de sua venda, ele tomou a mesma do empresário e prendeu-o em Delhi. A relíquia então, foi enviada para o santuário de Harzat Khwaja Moinuddin Chishti, em Ajmer, no Rajastão, que eu também visitei (para ler sobre esta outra mesquita, clique no nome  grifado). 

Mais tarde, reconhecendo o seu erro, o Imperador Aurangzeb decidiu devolver a relíquia para o empresário Khwaja Nur-ud-Din Eshai e deu permissão para que o mesmo a levasse para a Caxemira. Infelizmente, o erro foi reconhecido tarde demais, pois o empresário já havia morrido na prisão. Somente em 1700 a relíquia pode, finalmente, ser levada para a Caxemira, junto com o corpo de Khwaja Nur-ud-Din Eshai e conduzida pelos eu filho Inayat Begum.

Inayat Begum tornou-se guardião da relíquia e construiu o Santuário Hazratbal.

Posteriormente, Inayat Begum casou-se com a integrante de uma importante família de Srinagar (Banday) e, desde então, seus descendentes têm sido os guardiões da relíquia.


O desaparecimento da relíquia
Em 26 de dezembro de 1963, a relíquia com o fio de cabelo de Maomé desapareceu misteriosamente da mesquita. Houve protestos em massa, milhares de muçulmanos foram às ruas em todo o Estado da Caxemira. Foi criado até um comitê para tentar recuperar a relíquia. Em 31 de dezembro, o primeiro-ministro da Índia na época, Jawaharlal Nehru fez um pronunciamento à nação pela recuperação da relíquia, o que aconteceu em 4 de janeiro de 1964.


Obviamente eu não tive acesso ao fio de cabelo do profeta Maomé, mas imagino também que, mesmo estando dentro da mesquita, ela não deve estar à vista de todo mundo. A relíquia com o fio de cabelo do profeta é mostrada para a multidão em ocasiões especiais apenas do alto do minarete da mesquita.


Oração muçulmana: no momento em que eu estava no pátio da mesquita, começou uma das cinco orações diárias dos muçulmanos e eu aproveitei para gravar um trechinho. O vídeo todo não tem um minuto, vamos assistir?


Você gostou da mesquita e da história do fio de cabelo, ou não curte estes assuntos religiosos? Eu não sou muçulmana, mas a parte histórica eu achei muito interessante.

Beijos,
Ana Maria

Obs: as imagens que não levam a marca d'água do blog não foram feitas por mim!
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Caxemira, zona de conflito em terras belíssimas!

As terras em volta das montanhas do Himalaia, na minha opinião, são os mais belos lugares da Índia. Além de Rishikesh, localizada no Estado de Uttarakhand, e Manali, no Estado de Himachal Pradesh, eu visitei a Caxemira (Kashmir), cujo nome oficial é Jammu and Kashmir.

A Caxemira também é chamada de Paraíso na Terra!

À partir de hoje, começa uma série de posts sobre a região da Caxemira. Primeiro vou dar uma pincelada geral sobre o Estado e depois vou contar um pouco mais sobre os lugares que eu visitei.


Os principais idiomas do Estado da Caxemira são o urdu, dogri, kashmiri, mas falam também o hindi e inglês. Lembrando que a India possui 23 idiomas oficiais!

Cena muito comum em Pahalgam, pastores e ovelhas andando pelas ruas. 

A Caxemira está localizada nas montanhas do Himalaias e faz fronteira com os Estados de Himachal Pradesh, Punjab, Tibet (na região administrada pela China) e Paquistão. Este último, que foi separado da Índia em 1947, após a Independência, disputa esta região desde então.


A área de fato administrada pela Índia é menor do que a pretensão territorial, já que parte da região geográfica da Caxemira é administrada pelo Paquistão e parte pela República Popular da China. 

Controle rigoroso contra ataques terroristas, principalmente vindos do Paquistão: a Caxemira possui autonomia especial nos termos do artigo 370, da Constituição da India e eu percebi isso claramente em Srinagar, a capital de verão deste Estado. Assim que eu desembarquei no aeroporto, eu precisei preencher aquele formulário que todos os estrangeiros preenchem ao entrar em um país. Isso que eu já tinha preenchido um destes formulários em Delhi. Ainda no aeroporto, fui submetida a um intenso interrogatório por três policiais federais. Queriam saber o básico: o que eu estava fazendo lá, quanto tempo iria ficar, qual o hotel etc.

Revistas e detectores de metais: ao pegar o voo de volta, a revista começou praticamente 1 km antes do embarque, já na zona do aeroportuária. Ao todo, passei por quatro revistas e três detectores de metais. Na última revista, eu fui "apalpada" em algumas partes do meu corpo para verificarem se eu não portava nenhum objeto explosivo no meu corpo.
Vale destacar que todas as revistas femininas na India são efetuadas exclusivamente por mulheres! Não me senti desrespeitada, pois entendi como funciona o sistema de prevenção terrorista no local.

Pelas ruas e em quase todos os lugares, dezenas de militares fortemente armados controlam tudo o que acontece na região e nem sempre é possível fotografar ou filmar. No primeiro dia, confesso que estranhei muito, mas depois acostumei e nem mais me importei do isso.

Telefone e internet: durante a minha estada na região, eu vi que o chip telefônico que eu havia comprado em Delhi não funcionava na Caxemira. Somente chips comprados lá funcionam e comprá-los não é uma tarefa simples. Então, quando precisei, usei o celular do meu guia local, o super prestativo Umar. A internet também é totalmente controlada pelo governo local, que tira do ar e restabelece a qualquer momento.. ou dias depois.

Umar, meu guia e motorista contratado na Caxemira. 

O Umar foi muito correto e prestativo. Se alguém for visitar a região, sugiro contratar um guia e recomendo este. Tenho os telefones, whats e e-mail dele. É só entrar em contato comigo inbox que eu informo.

Mesquita Hazratbal, em Srinagar, que eu também visitei.

População: Jammu e Caxemira, com mais de 12 milhões de habitantes, é o único estado na Índia, com uma população de maioria muçulmana. No restante do país, prenominam os hindus. 

A Caxemira é formada por três regiões: Jammu (população hindu), Vale da Caxemira (muçulmanos) e Ladakh (budistas).

As capitais, que são duas: Srinagar, de maioria muçulmana, é a capital do Estado durante a primavera/verão e Jammu, de maioria hindu, é a capital durante os meses de outono e inverno. 

Pomar de maçãs, próximo a Pahalgam.

O Vale da Caxemira é famoso por sua belíssima paisagem montanhosa e Jammu, pelos seus numerosos templos hindus. Ladakh, também conhecido como "Little Tibet", é famosa pelas belas montanhas e pela cultura budista. 

Fiquei cerca de uma semana na Caxemira e visitei, além da cidade de Srinagar, as montanhas nevadas em Pahalgam, Zero Point, em Sonmarg e Gurlmarg Gondola, em Gulmarg. 

 Subi até as montanhas de Pahalgam em um cavalo.

Zero Point, em Sonmarg. Nevou e fez muito frio naquele dia. Quase congelei! 

Aqui é Gulmarg Gondola, em Gulmarg.

Explorei apenas a região do Vale e as montanhas da Caxemira, inclusive quase na fronteira com o Paquistão, mas não fui para as outras duas regiões (Jammu e Ladakh).
 
Sonmarg

A região é de tirar o fôlego: belíssima! Era o mês de junho, já entrando no verão e fazia frio, chegando até a nevar nas montanhas.


Um contraste com a capital do país, Delhi, que na mesma época, os termômetros registravam quase 50ºC e o calor intenso estava derretendo até  asfalto.

Dal Lake

Dal Lake é um famoso lago em Srinagar, onde as pessoas moram em barcos belíssimos. A maioria também oferece serviços de hospedagem aos turistas.

Gulmarg Gondola

Nos próximos posts, vou contar um pouco sobre cada um dos lugares por onde eu andei na Caxemira. Aguardo você!

Beijos,
Ana Maria
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