Uma das maiores dúvidas para quem está com viagem marcada para Buenos Aires é: qual a melhor moeda para levar? E é mais vantagem trocar aqui ou lá?
Não é novidade que a Argentina está atravessando um período muito complicado. A inflação não dorme e a cada dia o peso (moeda local) acorda mais desvalorizado.
Para quem está indo agora para lá, vou dar algumas dicas baseadas na minha experiência, pois voltei de uma viagem a Buenos Aires há duas semanas.
No post de hoje vou abordar sobre o câmbio:
Quem já tem dólares em casa, pode levar estes que a cotação está bem favorável por lá. O dólar pode ser usado no free shop, na maioria dos restaurantes turísticos e em algumas lojas. Mas, se você pretende comprar dólares exclusivamente para esta viagem, acho que não vale muito a pena. Você vai comprar pelo dólar turismo e ainda pagar a taxa da agência e como nem todo lugar aceita (dizem que lá é a terra em que o dólar tudo pode, mas na prática, não é bem assim), terá que fazer novo câmbio por pesos, pagar as taxas das agências, perder tempo, enfim, não é tão prático.
O ideal é levar um pouco de cada: cartão de crédito internacional - imprescindível, se houver uma emergência; dólares - caso você já os tenha; reais e um pouco de pesos. Os pesos são para as despesas como cafezinho, água, lanches, táxi, bilhetes de metrô, ônibus turismo (este só aceita pagamento em pesos). Reais são aceitos nos mesmos lugares em que o dólar é aceito, ou seja, nos restaurantes turísticos e em algumas lojas. Não é aceito nos free shops argentinos. Nestes, só dólar, peso ou cartão de crédito internacional. Ao pagar com cartão de crédito, leve em consideração o IOF de 6,38% e a instabilidade do dólar até o pagamento da sua fatura.
Importante: faça o câmbio por pesos ainda aqui no Brasil, a cotação é bem melhor. No início de julho, a cotação aqui no Brasil era de R$ 2,70 por cada peso. Nas casas de câmbio argentinas, pagavam R$ 2,00. Fui escutar uma conhecida que me disse que era mais vantajoso trocar lá, por causa da crise, etc e acabei trocando poucos aqui no Brasil, mas me arrependi.
Cuidado: na Calle Florida está cheio de pessoas anunciando que fazem câmbio. A cotação é bem melhor, mas não recomendo, pois o risco de você receber notas falsas é grande. Vá direto numa Casa de Câmbio oficial, é mais seguro. Tem várias delas na própria Calle Florida.
Quanto dinheiro devo levar?
Isso vai depender de quanto tempo você vai ficar e o que você pretende gastar. Compras é muito pessoal, mas aviso que, pelo preço, não está valendo muito a pena, a não ser que você encontre algo de que goste muito.
De preferência, já viaje com as passagens aéreas e o hotel pagos, que são as maiores despesas, assim é uma preocupação a menos quando retornar.
Sugiro levar cerca de $ 500,00 ou 600,00 ($ este símbolo se refere ao peso e não ao dólar, como alguém pode pensar) por pessoa, para as pequenas despesas, táxi e para o passeio de ônibus turismo - para uma semana. Se sobrar, no último dia, gaste em restaurantes ou no free shop da volta.
E a quantia em dólares ou reais, sugiro somar a quantidade de refeições que você fará (fora o café da manhã, que está incluso na maioria dos hotéis), mais uma previsão extra para alguma compra ou imprevisto.
Nos lugares em que aceitam pagamento em reais (o troco, se tiver, é em pesos), a cotação está excelente: entre R$ 2,50 e R$ 3,00. Vale a pena levar reais. Na famosa Café Tortoni, por exemplo, cada peso valia R$ 2,80.
Pagar com cartão de crédito, só aconselho no free shop e em algumas lojas de rua como a Fallabela, Zara, Alenis, Isadora (estas duas últimas são redes de lojas de bijouterias e acessórios) e lojas de shoppings. Mas atenção, em muitas lojas tem um acréscimo de 15 a 20% se pagar no cartão. Na dúvida, pergunte se em "efectivo" (dinheiro cash, em espécie) é mais barato.
Despesas com alimentação:
Os preços estão bem parecidos com os nossos, então considere o mesmo valor que você gastaria aqui em lugares similares. Eu gastei, em média, o equivalente a R$ 50,00 por refeição. Mas é que fui em lugares e restaurantes turísticos. Lanches ou refeições em lugares mais simples, obviamente é mais barato. O que eu achei mais barato foi o vinho. Bebi ótimos vinhos argentinos, em lugares turísticos, por $ 66,00 e $ 75,00 a garrafa.
Café e água estão muito mais caros do que aqui. Por exemplo: um cafezinho na Kopenhagen, em qualquer shopping brasileiro custa R$ 4,50. Um cafezinho no mesmo tamanho, no Havanna (loja que vende os famosos alfajores), em Buenos Aires, custa S 19,00. Ou seja, quase R$ 10,00. Na cafeteria da Livraria El Ateneo, custa $ 21,00.
Uma garrafinha de água mineral, que pagamos por aqui, no máximo, R$ 3,00, lá custa entre $ 19,00 e $ 20,00. Então, água e café são bem mais caros por lá. Mas a alimentação, em geral, está com os preços bem parecidos com os nossos.
Dica: não beba a água mineral do frigobar do hotel, obviamente é bem mais cara. Você vai encontrar facilmente a mesma marca nas lojinhas OPEN 25HS, que tem em toda a área central, por $ 6,00. Se levar 3, sai por $ 15,00.
Locomoção:
Táxi oficial do Aeroporto de Ezeiza até o centro, custa $ 250,00. Chamando a mesma empresa para o retorno - ligue um dia antes para marcar - sai por $ 195,00. Já incluído os pedágios. Procure pelo guichê central da Taxi Ezeiza, logo que você sair da área do desembarque internacional.
Táxi, dentro de Buenos Aires, é relativamente barato, vale a pena pegar. Mas atenção para não cair no golpe da nota riscada (escrevi sobre isso neste post
aqui) e ficar no prejuízo. Passeio de ônibus turismo eu também recomendo. A duração do passeio é de 2h, mas você pode descer ou subir em qualquer ponto, quantas vezes quiser, durante a validade do seu ticket. O ticket que vale 24h custa R$ 120,00 e o que vale por 48h, custa $ 160,00 por pessoa. Este ano tem uma linha nova, a azul, que vai até o Estádio do River Plate, que fica em Nuñes, periferia de Buenos Aires. Esta linha vai pela orla, deve ser bem legal, mas não consegui fazer este passeio. E você ainda recebe um cartão que dá direto a descontos em lojas, restaurantes e outros pontos turísticos, durante a validade do seu ticket.
Essas foram as minhas dicas e informações sobre as moedas utilizadas em Buenos Aires, qual a mais vantajosa e em que situações. Em outras cidades argentinas, provavelmente o peso deve ser a melhor opção.
Espero que você tenha gostado deste post e se ficou alguma dúvida em relação a este assunto, é só perguntar.
Beijos,
Ana
* Estas cotações/câmbios citados foram do mês de julho de 2013, alta temporada. Pode ser que agora os valores tenham baixado um pouco.
** Leia também os comentários, têm várias dicas e também informações atualizadas!
Atualização de post em 22 de março de 2015:
Este post foi publicado há quase 2 anos e hoje, devido à grande valorização do dólar, os valores de câmbio citados na época estão bem diferentes. O real não foi a única moeda a ser desvalorizada, o valor do peso também caiu muito.